Homeopatia – Porque não?

[Tradução da página Why you can’t trust Homeopathy da 1023 Campaign]

Não funciona
Quando testada em condições rigorosas – quando nem o paciente nem o médico sabem se estão a usar ou não homeopatia até todos os testes terem sido feitos – a homeopatia não funcionou melhor do que comprimidos de açúcar. Isso não significa que as pessoas não se sintam melhor após tomarem homeopatia; só que essa sensação não está relacionada com a homeopatia. Isto é conhecido como o efeito placebo, e é muitas vezes incompreendido.
A medicina convencional também tem um efeito placebo, além dos outros benefícios.

A escolha entre medicina e homeopatia resume-se a uma questão simples: quer um placebo, ou um placebo e um tratamento que está provado que funciona?

Não poderia funcionar
Os princípios teóricos que caracterizam a homeopatia não têm qualquer credibilidade científica e as supostas “leis da homeopatia” não correspondem a nada que saibamos sobre o mundo à nossa volta. Bastam umas noções elementares de química para demonstrar que as tinturas homeopáticas são água, pura e simplesmente. Para mais informação relacionada com a teoria por trás da homeopatia, veja a nossa página O que é a Homeopatia.

É um desperdício de dinheiro
A indústria homeopática vale cerca de 40 milhões de Libras no Reino Unido, e cerca de 400 milhões de Euros tanto na França como na Alemanha. É verdade que isto pode parecer pequeno, quando comparado com a indústria farmacêutica, mas os medicamentos farmacêuticos são obrigados a mostrar eficácia clínica antes de poderem ser vendidos. A Homeopatia não é obrigada a tal, e 40 milhões de Libras parecem ser muito dinheiro para gastar em algo que não tem provas em como funciona.

Os medicamentos homeopáticos estão a ser vendidos a um preço de 5,95 Libras Esterlinas por menos de 20g de bolinhas de açúcar. Como não tem nenhum ingrediente activo, isto acaba por ser muito dinheiro para pouco açúcar.

É um desperdício do dinheiro de todos
No Reino Unido, o NHS (National Health System, Sistema Nacional de Saúde) gasta aproximadamente 4 milhões de Libras todos os anos com homeopatia. O governo britânico também apoia financeiramente quatro Hospitais Homeopáticos usando dinheiro dos contribuintes, em Bristol, Glasgow, Liverpool, e Londres. As provas são claras: a homeopatia não funciona, e portanto não tem lugar no Serviço Nacional de Saúde. Apesar dos cortes pesados recentes nos gastos públicos, o governo Britânico continua a recusar-se cortar os fundos para a homeopatia, mesmo quando aconselhado para tal por cientistas de renome.

É um desperdício do seu tempo
Quando a homeopatia é aceite como uma alternativa viável à medicina, os pacientes desperdiçam tempo ao tomarem comprimidos e poções em vez de procurarem atenção médica fornecida por especialistas. Para maleitas leves, como uma constipação ou uma gripe, os riscos são mínimos; para pacientes com condições mais severas, o tempo poderá ser um factor sigificativo na sua recuperação. Muitos homeopatas encorajam até pacientes a esperar, antes de procurar atenção médica, mesmo quando a sua saúde deteriora, afirmando que um agravar dos sintomas é um sinal de que as suas poções estão a funcionar.

Além do mais, dão a pacientes em estado terminal uma visão irrealista da sua condição e podem impedi-los de aproveitarem ao máximo o tempo de que ainda dispõem. Isto leva, no limite, a mais sofrimento e desilusão, quando o tratamento demonstra ser fútil.

É um desperdício do tempo de todos
Milhares de testes foram feitos para estudar a eficácia da homepatia e das suas várias ‘leis’. Até agora, nenhum conseguiu mostrar claramente que a homeopatia é eficaz, e a maior parte são definitivamente negativos. Qualquer tratamento convencional com estas estatísticas de eficácia já teria sido abandonado há muito tempo. Na realidade, muitos tratamentos já foram abandonados, mesmo alguns com provas mais fortes do que as que existem para a homeopatia. Se não estivessemos a perder tempo provando, mais uma vez, que a homeopatia não funciona, poderíamos estar à procura de medicamentos que funcionam.

Existem alternativas a esta alternativa
A questão é simples: não precisamos de homeopatia. A medicina funciona. Doenças como sarampo, tosse convulsa e poliomelite são prevenidas com eficácia através das vacinas. Medicamentos modernos anti-retrovirais ajudam pacientes com HIV a manter o seu estado, de tal maneira que o SIDA já não é a sentença de morte que em tempos foi.

Alguns homeopatas oferenças ‘curas’ falsas para o SIDA, o que leva a que pessoas vulneráveis e muito doentes a pagar pelo privilégio.

Não é o que diz no rótulo
Compre um frasco de Enxofre homeopático 30C e pode ter a certeza de uma coisa: não vai encontrar enxofre no frasco. Terá muitas mais hipóteses ganhar 3 vezes seguidas a lotaria do que tem de encontrar um só átomo de enxofre nesse frasco; o rótulo, no entanto, diz ‘Enxofre’.

Diminui a medicina
Dar legitimidade a tratamentos ineficazes e não-provados tem os seus custos. O custo de permitir a promoção da homeopatia como uma ‘alternativa’ à medicina surge quando os pacientes não conseguem distinguir uma condição limitada em si mesma, que, dando-lhe tempo, se curará, e uma doença mais grave que poderá ameaçar a vida do paciente se for indevidamente tratada. Relatos de pessoas que abandonaram a medicina em favor de curas falsas, com resultados desastrosos, são infelizmente fáceis de encontrar. Ao permitirmos a promoção de uma terapia que está provada que é ineficaz e inplausível, encorajamos as pessoas a afastar-se de tratamentos que os podem ajudar.

Abusou dos seus privilégios de placebo
É compreensível que, muito de vez em quando, um placebo fácil de administrar possa trazer algum benefício para os médicos, quando nenhuma intervenção médica tem uma eficácia particular e provada. Nestes cenários, poderíamos argumentar que a homeopatia tem um papel a desempenhar, fornecendo um placebo sem prejuízos nem benefícios que ajude a tornar suportável algo que, de outra maneira, não o é. Contudo, os homeopatas abusam deste nível mínimo de legitimidade ao fazerem afirmações sobre condições que o efeito placebo não poderia, de forma alguma, tratar, como o cancro, o HIV, a malária, a febre amarela, o autismo, a tuberculose, etc. Eles desencorajam as pessoas a procurar ajuda médica quando elas mais precisam dessa ajuda. Chegou a altura de parar com o apoio à charlatanice; há que informar as pessoas, dando-lhes acesso aos factos sobre esta banha da cobra que existe, imutável, há 200 anos, por forma a que rejeitem esta prática e adoptem as intervenções da medicina moderna, que é fiável e está sempre a ser melhorada.