Evidência científica contra a homeopatia

Nos debates que temos tido tentamos confrontar os argumentos de proponentes de homeopatia com links para estudos que fundamentam a posição que os benefícios da homeopatia devem-se apenas ao efeito placebo.

Para que esses links não fiquem perdidos entre acusações e argumentos pouco edificantes, resolvemos criar esta página com ligações para esses mesmos estudos. Será uma página em constante construção e esperamos que os nossos visitantes possam contribuir com outras tantas, através da caixa de comentários ou através de e-mail. (Peço um pouco de paciência se o comentário não aparecer imediatamente porque o wordpress retém alguns comentários que contenham mais de 3 links)

Glossário:

[fonte: wikipedia]

Meta-análise – é uma técnica estatística desenvolvida para integrar os resultados de dois ou mais estudos, sobre uma mesma questão de pesquisa.

Revisão sistemática –  método sistemático utilizado para encontrar e avaliar críticamente todas as evidências científicas disponíveis sobre uma questão de pesquisa.

META-ANÁLISES

Impact of Study Quality on Outcome in Placebo-Controlled Trials of Homeopathy Julho 1999

“All analyses were performed using meta-regression methods. Studies that were explicitly randomized and were double-blind as well as studies scoring above the cut-points yielded significantly less positive results than studies not meeting the criteria. In the cumulative meta-analyses, there was a trend for increasing effect sizes when more studies with lower-quality scores were added. ”

Evidence of clinical efficacy of homeopathy Agosto de 1999

“ There is some evidence that homeopathic treatments are more effective than placebo; however, the strength of this evidence is low because of the low methodological quality of the trials. Studies of high methodological quality were more likely to be negative than the lower quality studies.”

Homeopathy for chronic asthma 2004

“There is not enough evidence to reliably assess the possible role of homeopathy in asthma. As well as randomised trials, there is a need for observational data to document the different methods of homeopathic prescribing and how patients respond. This will help to establish to what extent people respond to a ‘package of care’ rather than the homeopathic intervention alone.”

An overview of two Cochrane systematic reviews of complementary treatments for chronic asthma: acupuncture and homeopathy Agosto 2004

“HOMEOPATHY: There is not enough evidence to reliably assess the possible role of homeopathy in the treatment of asthma. Further studies could assess whether individuals respond to a “package of care” rather than the homeopathic intervention alone.”

Are the clinical effects of homoeopathy placebo effects? Comparative study of placebo-controlled trials of homoeopathy and allopathy Agosto de 2005

“Biases are present in placebo-controlled trials of both homoeopathy and conventional medicine. When account was taken for these biases in the analysis, there was weak evidence for a specific effect of homoeopathic remedies, but strong evidence for specific effects of conventional interventions. This finding is compatible with the notion that the clinical effects of homoeopathy are placebo effects.”

REVISÕES SISTEMÁTICAS:

A systematic review of systematic reviews of homeopathy Dezembro de 2002

Análise sistemática com quadro síntese dos problemas encontrados em vários estudos:

“Eleven independent systematic reviews were located. Collectively they failed to provide strong evidence in favour of homeopathy. In particular, there was no condition which responds convincingly better to homeopathic treatment than to placebo or other control interventions. Similarly, there was no homeopathic remedy that was demonstrated to yield clinical effects that are convincingly different from placebo. It is concluded that the best clinical evidence for homeopathy available to date does not warrant positive recommendations for its use in clinical practice”

Homeopathy for Childhood and Adolescence Ailments Janeiro 2007

The evidence from rigorous clinical trials of any type of therapeutic or preventive intervention testing homeopathy for childhood and adolescence ailments is not convincing enough for recommendations in any condition.

Homeopathy: what does the “best” evidence tell us? Abril 2010

Análise da “melhor” evidência para a homeopatia.

“The findings of currently available Cochrane reviews of studies of homeopathy do not show that homeopathic medicines have effects beyond placebo.”

15 Responses to Evidência científica contra a homeopatia

  1. Pingback: A força dos argumentos | 10:23 Portugal

  2. Tiago Chabert says:

    “A Ciência é brilhante! Viva a Ciência! Varram os descrentes para debaixo do tapete. Afinal só ela é a Verdade! Viva! Vamos silenciar os hereges!…”
    “Sim, tens que distorcer a verdade…”
    “Não faz mal, é só um bocadinho… eles nem vão notar”
    “Ó pá! Se notarem a gente nega tod’juntos que assim dá idéia que somos muitos.”
    “Já te disse que o importante é o que sai nas notícias!…”

    Um pouco de cultura acerca da manipulação da “ciência” e da informação não vos faria mal nenhum:
    “El Rapto de Higea” de Jesús García Blanca:
    http://www.viruseditorial.net/pdf/rapto%20de%20Higea.pdf
    E, já agora, o seu blog:
    http://saludypoder.blogspot.com/

    Abram os olhos amigos, estão a ser enganados e não é pela homeopatia.
    E para os que estão a fazê-lo cientes das implicações dos seus actos:
    “Step out of the dark side!” (Sim, uma alusão à popular hexalogia “A Guerra das Estrelas”).
    Já alguma vez pensaram em servir o próximo e não o que vos contaram que é a “Cíência”? Experimentem, sabe a… a integridade. Sim, eu sei que não tenho provas científicas de que a integridade existe, mas experimentem por vós mesmos, não custa nada e pode ser que descubram outra forma de “saber” – a da experiência directa.
    E já agora… será que o Amor existe? Onde estão os ensaios duplo-cego???
    E a Liberdade? E, já agora… a Fraternidade para lá da crença, raça ou nacionalidade?
    Ah, parvoíce a minha! Está tudo ao mesmo nível que os unicórnios com flatos de arco-íris. Como é que alguma vez pode existir algo fora das Leis da Ciência? Inimaginável! Um verdadeiro ultraje! Corram com os hereges!
    Parabéns pelo blog, está um primor. Uma verdadeira jóia da coroa científica.

  3. L says:

    Ah finalmente, a afirmação anti-ciência!

    (Aquela longa lista estava ali mesmo a jeito, tinha a palavra “evidência científica” por isso deve ser o suficiente.)

    O problema é mesmo ter-se deparado com gente que, para além de saber ler, não engole tudo o que está escrito na net e que precisa um bocadinho mais de provas que aquelas que alguém resolve debitar da boca para fora só porque lhe dá na cabeça.

    Caro Tiago, já percebemos. Espalhe a Verdade por aí, nós preferimos continuar a demonstrar que a homeopatia não tem fundamento nem provas de eficácia.

    E a sua lista será tratada colocada aqui brevemente.

    • Sofia Amaral says:

      “…nós preferimos continuar a demonstrar…”
      Vocês não demonstraram nada!

      • T. says:

        Pois é Sofia, mas parece que para os “verdadeiros” cientistas basta afirmar. As provas têm que dar os outros… os que se afirmam anti-ciência! Esses cujas metodologias não se encaixam ao “verdadeiro método científico” – ao contrário das manobras mediáticas dos “verdadeiros” cientistas. Seja qual for a quantidade e qualidade de estudos realizados ou publicados, o veredicto será sempre o mesmo… E que não se fale de mais nada pois tudo o mais revela que se é “anti-ciência”!?!
        Haja paciência…

    • Tiago Chabert says:

      “Ah finalmente, a afirmação anti-ciência!”
      Finalmente o herege confessa! Descrente! Queimei-no na fogueira do descrédito! Viva a Verdadeira Ciência! A Única Ciência!
      Boa, L.!

  4. Jose Castro says:

    Bom,

    Além da revista peer-reviewed Homeopathy, publicada na Elsevier e indexada na PUBMED (http://www.elsevier.com/locate/homp) que tem artigos de investigação e de opinião favoráveis à homeopatia, temos vários artigos em jornais científicos em território neutro.

    Por exemplo:
    http://archotol.ama-assn.org/cgi/content/abstract/124/8/879
    http://rheumatology.oxfordjournals.org/content/43/5/577.full
    (mas por favor é só continuar a pesquisa nos meios disponíveis a todos os que lêem este blog)

    Queria ainda chamar a atenção para este artigo, que além de demonstrar que a homeopatia tem eficácia superior ao placebo em estudos controlados, mostra que há quem queira provar o contrário, mesmo que isso implique falsear resultados.

    Note-se que o Journal of Clinical Epidemiology é uma publicação altamente reputada.

    “The conclusions on the effectiveness of homeopathy highly depend on the set of analyzed trials.” J Clin Epidemiol. 2008 Dec;61(12):1197-204.

    “Shang’s recently published meta-analysis on homeopathic remedies (Lancet) based its main conclusion on a subset of eight larger trials out of 21 high quality trials (out of 110 included trials). We performed a sensitivity analysis on various other meaningful trial subsets of all high quality trials.”

    “Homeopathy had a significant effect beyond placebo (OR=0.76; 95% CI: 0.59-0.99; p=0.039).”

    Ou seja, o Dr Shang esteve a tentar convencer alguém de que homeopatia=placebo, distorcendo grosseiramente os dados clínicos.

    • L says:

      Caro José Castro,

      Poderia elucidar a que “meaningful trial subsets” a citação que mencionou se refere?

      O primeiro estudo que apontou é explicito em indicar que existem problemas metodológicos no mesmo: “In the present study, the exact cause of vertigo was unknown in 90% of the patients. However, for more than 70% of the patients in both treatment groups, none had been treated before. In general, in this early stage of a disease, no specific differential diagnosis is given, so that one third of patients of the homeopathic group were characterized as having vasomotor vertigo. Another shortcoming of this study was the lack of a placebo control.”

      No segundo, uma das críticas que é feito ao estudo em questão e que pode ser lido em http://www.sciencebasedmedicine.org/?p=8223: “in the Rheumatology paper, I notice several flaws in the randomization in characteristics that are important disease endpoints, which means that the two groups aren’t the same when it comes to severity. Moreover, the treatment group and placebo group differed in the number on antihistamines; the authors claim this didn’t make a difference but present no evidence to show that this is so. Finally, in Table 2, one notes that there are no differences in any of the endpoints for the study groups until the results are “adjusted,” which always sends up red flags for me.”

      Para não falar do facto desse e outros estudos feitos sobre a mesma condição terem sido alvo de uma meta-análise: http://www.springerlink.com/content/grw090753637902v/ onde se lê: “Homoeopathy is often advocated for fibromyalgia (FM) and many FM patients use it. To critically evaluate all randomised clinical trials (RCTs) of homoeopathy as a treatment for FM, six electronic databases were searched to identify all relevant studies. Data extraction and the assessment of the methodological quality of all included studies were done by two independent reviewers. Four RCTs were found, including two feasibility studies. Three studies were placebo-controlled. None of the trials was without serious flaws. Invariably, their results suggested that homoeopathy was better than the control interventions in alleviating the symptoms of FM. Independent replications are missing. Even though all RCTs suggested results that favour homoeopathy, important caveats exist. Therefore, the effectiveness of homoeopathy as a symptomatic treatment for FM remains unproven.”

      • Jose Castro says:

        Não sou ninguém para pôr em causa o Journal of Rheumatology e o seu conselho editorial.

        Para mais poderá encontrar falhas em qualquer estudo (ou no que quer que seja), mas não é em todo o lado que encontrará evidências replicadas.

  5. Jose Castro says:

    Caro L.,

    Porque me pergunta detalhes que descobriria ao ler o artigo?

    Pode aceder ao artigo completo em:
    http://www.anthromed.org/UploadedDocuments/LuedtkeRuttenJCE08.pdf

    Bom entretanto, para não ter que se maçar, descrevo:

    O Dr. Shang (et al.), que publicou a revisão tendenciosa contra a homeopatia foi criticado pelo facto de em 21 ensaios clínicos de alta qualidade (nas palavras do próprio), só incluir os oito de maior dimensão.

    Passou-se que o de maior dimensão (400 participantes) de todos obtinha resultados desfavoráveis à homeopatia no que toca ao tratamento de dores musculares após esforço de longa duração, aliás usando uma metodologia não-homeopática (o remédio era igual para todos – na homeopatia tradicional o remédio é individualizado e os estudos honestos têm isto em conta).

    Nesta reanálise da autoria de Lüdtke e Rutten são usados outros critérios de seleção de estudos:

    Tamanho da amostra, Tipo de perturbação em tratamento, Tipo de Publicação, Qualidade da análise estatística, Tipo de tratamento homeopático, e Diluição Homeopática.

    …o que faz com que os resultados variem entre favorável e desfavorável à homeopatia de acordo com o subconjunto de resultados que o investigador escolher arbitrariamente. [Note-se que analizados em conjunto os 21 estudos que o autor original escolheu como de alta qualidade são favoráveis à homeopatia.]

    Daqui se tirar duas conclusões:
    1) A seleção feita pelo Dr Shang e seus colegas neste estudo foi arbitrária e logo a sua conclusão questionável no mínimo. [Digo eu é possível que o mesmo tenha acontecido noutras revisões “sistemáticas”.]

    2) Existe uma grande heterogeneidade entre os ensaios clínicos o que faz com que seja absurdo afirmar “Homeopatia é Placebo”, [a homeopatia é um mundo] e que apareçam falsos negativos [o mesmo se aplica a outras revisões e meta-análises da homeopatia como um todo].

    Nas palavras dos especialistas em estatística e epidemiologia que realizaram a meta-análise:

    “Heterogeneity seems to be intrinsic in placebo-controlled trials on homeopathy. This suggests, that the main underlying scientific hypothesis ‘‘Are the effects of homeopathy placebo?’’ does not make sense. Similarly it does not make sense to ask whether conventional medicine is placebo. From our point of view, also in homeopathy the hypothesis should be more specific and include both a specific definition of the homeopathic intervention and a clear definition of the
    disease/health condition.”

    Ou seja, há medicamentos convencionais eficazes e outros ineficazes ou prejudiciais consoante a condição patológica, posologia, etc. Seria no entanto injusto afirmar que, por causa dos resultados negativos que a medicina convencional obtem esta é placebo ou mesmo perigosa e descartável no seu todo. Note-se que não são poucos os resultados negativos da medicina convencional de acordo com vários estudos – um deles aliás citado no mesmo número da visão onde foi publicado o artigo sobre a homeopatia.

    Portanto afirmar que a “homeopatia = placebo” é mais uma falácia redundante. É do mesmo nível que afirmar que “a energia nuclear é segura”. O que têm em comum? São afirmações perigosas e impossíveis de provar, no entanto dominantes socialmente.

  6. L says:

    Caro José Castro,

    Pelas suas palavras e também pelo estudo que cita, é notória a falta de compreensão em relação aos problemas que são colocados aos testes clínicos. Estes problemas são notórios em qualquer análise, seja ela de medicina dita convencional ou das terapias consideradas alternativas. Os falsos positivos são bem conhecidos por quem se dedica à análise destes testes, daí que o rigor metodológico seja essencial.

    Por isso, quando se fala em meta-análises e em análises sistemáticas, há sempre o cuidado em escolher aqueles que apresentam maior rigor (a tal qualidade que é mencionada). Isso inclui também o facto do estudo ser estatisticamente significativo. Se os testes analisados que apresentam valores positivos são aqueles que demonstram falhas metodológicas, parece ser evidente onde reside o problema.

    Em relação aos produtos homeopáticos serem iguais para todos os sujeitos envolvidos no estudo – só assim se pode avaliar um determinado produto para uma determinada condição. Esse processo é, tanto quanto sei, utilizado tanto pelos testes que mostram resultados positivos ou negativos, por exemplo, o primeiro link que enviou no outro comentário, não fez qualquer descriminação entre sujeitos (todos foram tratados da mesma maneira, apesar da dificuldade em diagnosticar cabalmente a doença). E recordo que este estudo foi indicado por si como um estudo que demonstra que a homeopatia é eficaz.

    Acrescento que para além da meta-análise de Shang et al. há também as revisões sistemáticas que apresentam a mesma conclusão, para diferentes condições e diferentes produtos homeopáticos.

  7. M P says:

    http://www.dailymail.co.uk/health/article-496612/The-case-homeopathy.html
    O raciocínio do Goldacre parece excelente.

    http://www.blogzero.it/2011/08/31/omeopatia-mito-e-leggenda-3/

    Infelizmente não consigo encontrar um texto, também ele em italiano, que mudou a minha perspectiva sobre a homeopatia radicalmente, quando li COMO são atribuidos os sintomas a casa remédio… Fiquei chocada e aí pus em causa a homeopatia. Com grande pena minha, seria uma “alternativa” muito mais completa e de acordo com o “livro” se acreditasse e usasse as bolinhas de açucar…

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