Os argumentos a favor da homeopatia (e porque razão não são válidos)

por Marisa Cardoso(foto de Marisa Cardoso)

Os apoiantes da homeopatia, sejam praticantes ou clientes dessa modalidade, assentam a defesa desta prática num pequeno número de argumentos. Vamos tentar, neste post, compreender quais são e avaliar a sua validade.

A homeopatia funciona porque milhões de pessoas no mundo inteiro dizem que funcionou com elas.

Este argumento é provavelmente o mais comum. Pode ser dito por um homeopata (“mas eu trato centenas de doentes e todos reportam que estão melhores, e que a homeopatia funcionou”) ou por um cliente (“eu estava com uma infecção urinária horrível, andei semanas a tentar tratar disto com o meu médico, os efeitos secundários foram horríveis, só piorava, e depois tomei um produto homeopático e fiquei boa”).
Que há de errado com este argumento? O problema reside no facto de existirem um sem-número de variáveis que nos impedem de confirmar, sem sombra de dúvidas, que B ocorreu por causa de A, isto é, que a doença foi curada pelo produto homeopático.
Isto porquê? Primeiro, porque várias das doenças e maleitas que temos são leves o suficiente para o nosso corpo poder dar contas delas por si próprio. Depois, porque existem doenças e problemas que desaparecem por si só, independentemente do que fizermos. Além disso, também existem condições crónicas que vão e vêm, isto é, que ora melhoram, ora pioram, e temos a tendência de dar os louros da vitória à última modalidade que testamos.
O que de facto acontece, numa consulta homeopática, é que o cliente é recebido com simpatia e é-lhe dada atenção. É-lhe perguntado, por um senhor de bata branca e com um ar sereno, tudo sobre o que apoquenta o cliente. Numa palavra, é-lhe transmitido interesse por ele. Isto é mais de meio-caminho andado para a pessoa se sentir melhor. No final, e após esta longa conversa, o homeopata receita-lhe (ou vende-lhe directamente) um produto que diz foi formulado precisamente para este cliente, e não para curar um outro sintoma, mas para equilibrar e restablecer a ‘energia vital’ do cliente. O resto do efeito consegue-se aqui. A partir deste momento, o cliente está ciente que aquelas bolinhas de açúcar vão funcionar, e vão curá-lo. E ele cura-se, se for uma situação ligeira, mas não por causa das bolinhas de açúcar.
A experiência própria, individual, não serve de barómetro para descobrir se isto ou aquilo funciona. Podem existir outras razões para melhorarmos (ou piorarmos, ou não nos acontecer nada). Vejamos um exemplo, de uma pessoa anónima, colocado num comentário de um blog brasileiro:

Relativamente ao uso da homeopatia posso dizer que a minha filha desde bebe sempre teve problemas respiratórios e infecções de garganta. Procurei vários médicos e alergologistas, mas o tratamento era antibiótico sobre antibiótico, até que conheci um médico homeopata que tratava apenas crianças com problemas do foro alérgico por um valor simbólico. Não sei se a minha filha tomou placebo ou se a água tem memória, mas posso assegurar que ele nunca mais tomou antibiótico e nuna mais fez infecções de garganta.

Escolhi este exemplo como podia ter escolhido outro; eles abundam na internet. Que será que aconteceu neste caso? Não sei, este pai/mãe também não sabe, e provavelmente nunca conseguiremos vir a saber. No entanto, várias hipóteses se afiguram. Uma hipótese é que esta criança (que felizmente ficou bem) tenha naturalmente deixado de ter estas infecções, isto é, que eventualmente, ao crescer, e com o passar do tempo, estas infecções deixassem de existir. Outra hipótese é que tenha passado bastante tempo entre a última vez que tomou um antibiótico (que, a acreditar no relato, não estavam a fazer nada) e a altura em que começou a tomar o produto homeopático. Se calhar passou tanto tempo que quando chegou a esta modalidade já as infecções estavam a ponto de naturalmente desaparecer. As hipóteses são imensas, e uma delas é que se calhar o produto homeopático que lhe foi dado, à criança, de facto funcionou e eliminou a fonte de infecções da garganta.
Note-se, no entanto, a última frase do comentário, e o poder que ela tem:

Não sei se a minha filha tomou placebo ou se a água tem memória, mas posso assegurar que ele nunca mais tomou antibiótico e nuna mais fez infecções de garganta.

Que diz esta frase? Diz: eu não sei nem me interessa nada disso do efeito placebo ou das teorias da memória da água, ou do facto de isso não ser plausível. A minha filha usou, e a minha filha ficou boa. Ponto final.
Contra este tipo de argumento é muito difícil argumentar de volta. O ser humano é um ser social, e as narrativas são parte da nossa experiência. Podem existir centenas de estudos científicos que dizem que A não cura B; se uma pessoa tem uma experiência que lhe faz pensar que A cura B, esses estudos todos são ignorados por completo.
Acontece é que a experiência pessoal não é uma boa maneira de conseguir descobrir a verdade dos factos. Como se pode descobrir se a homeopatia realmente funciona? Como se pode ter a certeza que é aquele comprimido que está a provocar um efeito, e não todo o ritual à volta (a consulta, a conversa, a atenção do homeopata, o desejo de se sentir melhor, a segurança de saber que não vai ter efeitos secundários, etc.)?
A resposta a estas perguntas é esta: testes controlados, aleatórios e ‘duplamente-cegos’. Vou dar um exemplo:

  • A homeopatia defende que determinado produto (por exemplo, o Osccilococcinum) previne e cura estados gripais, dores de cabeça, febre, arrepios e dores musculares (é o que diz o folheto do produto).
  • Estabelece-se um teste no qual entram 100 voluntários que são divididos em dois grupos de 50 pessoas, aleatoriamente, para evitar que um dos grupos tenha uma preponderância (mais idosos, mais crianças, mais homens, etc.).
  • Cada uma das 100 pessoas tem acesso exactamente ao mesmo procedimento, neste caso, uma consulta detalhada e individualizada com um homeopata que, no final, lhe receita o produto a ser testado e lhe indica que deverá ir a uma determinada farmácia para levantar o produto. Ao chegar lá apresenta a receita ao farmacêutico, e este vai às traseiras entregar  a receita a outra pessoa; entretanto, espera para receber a caixa que deve entregar ao paciente.
  • Aqui é onde começa a existir uma diferença: o profissional que recebe lá atrás a receita confirma, numa lista à qual só ele tem acesso, o nome do paciente e verifica se ele pertence ao grupo A (de 50 pessoas) ou ao grupo B (das outras 50 pessoas). A pessoa receberá sempre uma caixa exactamente igual à das outras 99 pessoas, mas conforme pertença a um grupo ou outro, o que vai estar dentro da caixa ou frasco serão ou bolinhas de açúcar (sem terem nada de homeopatia lá dentro) ou serão bolinhas de açúcar embebidas na diluição homeopática.
  • O farmacêutico que atende ao balcão recebe a caixa e leva-a ao paciente. Este farmacêutico não sabe se aquilo é ou não homeopático. O paciente não sabe se aquilo é ou não homeopático, mas terá sempre que tomar aquilo segundo as indicações do homeopata (x vezes por dia, x dias).
  • No final do tratamento, o paciente deverá indicar a sua percepção relativa ao sucesso (ou fracasso) do tratamento utilizado para curar ou minorar os sintomas da doença em questão. Esta informação é depois compilada e, nos testes mesmo rigorosos, analisada por estaticistas que nem sequer sabem o que é que está a ser analisado; simplesmente recebem colunas com dados e processam esses dados.

Porquê todos estes cuidados, e voltas e mais voltas, e gente que não sabe o que está a receber, e gente com listas ocultas dos outros, e tudo isto? A ideia é evitar ou pelo menos minimizar ao máximo a possibilidade de que preconceitos, desejos ou aspirações de alguma(s) pessoa(s) que estão envolvidas no estudo possam contaminar os resultados, isto é, possam alterar os resultados, invalidando ou pelo menos colocando em causa os resultados do mesmo.
O que é que acontece quando um teste destes é feito? Invariavelmente, e já foram feitos bastantes, um número estatisticamente similar de pessoas em ambos os grupos reportaram melhorias. Independentemente de terem tomado comprimidos de açúcar ou comprimidos homeopáticos, um número muito semelhante de pessoas melhoraram! Que nos diz isto? Que seja lá qual for a razão pela qual as pessoas melhoraram, os produtos homeopáticos utilizados não tiveram nada a ver com isso.

A homeopatia funciona porque é usada há centenas de anos, e se não funcionasse já teria desaparecido.

A primeira parte deste argumento assenta numa falácia lógica, o apelo à tradição. Lá porque algo existe há muito tempo, não podemos concluir que esteja correcto. Durante séculos (milénios!) a maioria dos seres humanos achava que a Terra era plana, e isso está incorrecto. A segunda parte assume que algo que não funciona não poderia existir por muito tempo; como vimos no argumento anterior, é possível que algo exista durante muito tempo, mesmo não funcionando, se as pessoas acharem que funciona.

A homeopatia funciona porque até existem médicos convencionais que a usam. Porque razão fariam tal coisa se não funcionasse?

O facto de existirem médicos convencionais que também usam esta prática não diz nada sobre a validade da mesma. Esses médicos podem estar enganados; podem estar simplesmente a querer ganhar mais dinheiro por fora, numa actividade “sem efeitos secundários”; podem ter uma filosofia de vida que os faça acreditar nos ‘miasmas’ e na ‘energia vital’; podem fazer algo que toda a gente faz, em algum tema da sua vida, isto é, separam mentalmente um tema ao qual não permitem que o seu lado racional aceda.

A homeopatia funciona porque a água tem memória e fica nela retida a ‘energia vital’ do ingrediente que foi diluído.

Uma afirmação como esta, por si só, não tem sentido nenhum. Eu poderia afirmar: tenho, em minha casa, um unicórnio cor-de-rosa que, quando lhe apetece, deita arco-íris pela boca. O facto de fazer tal afirmação não a torna real; tenho que provar aquilo que digo. As provas, além disso, têm que ser tão extraordinárias como a minha afirmação. Se tivesse dito chamo-me Pedro Homero bastaria mostrar o meu cartão de cidadão para provar essa afirmação. É uma afirmação simples, a prova é simples. Uma afirmação extraordinária, como a água tem memória e lembra-se da ‘energia vital’ do que foi nela diluído tem dois conceitos extra-ordinários (a memória da água e essa ‘energia vital’), isto é, que vão para lá do que se conhece na Química, na Física, na Biologia. Assim sendo, as provas que forem apresentadas têm que ser igualmente extraordinárias, isto é, tem que ser avassaladoras, derrubando as fundações das Ciências Exactas tal como as conhecemos. Escusado será dizer que essas provas ainda não foram apresentadas (e mesmo que o fossem, depois era preciso que provassem que o ingrediente diluído de facto cura algo).

A homeopatia funciona porque a ciência não sabe tudo, e não compreende o mecanismo pelo qual a homeopatia funciona, pelo que não a consegue testar.

A ciência não sabe tudo, é um facto. Mas sabe que não sabe tudo, e essa é aliás, uma das suas vantagens. A ciência procura saber a verdade e coloca constantemente em causa aquilo que descobriu anteriormente. Aliás, quando um cientista tem uma ideia nova, a primeira coisa que tenta fazer é falsificar essa ideia, isto é, procura por todos os meios descobrir uma maneira de demonstrar que a sua ideia (que é dele!) está errada, pois sabe que só assim a poderá defender. Há é uma grande distância entre a noção de que a ciência não sabe tudo e o corolário pelo que, a ciência não consegue testar a Homeopatia. A ciência consegue testar qualquer ideia ou prática que presuma ter efeitos reais, sobre aquilo que nos rodeia, ou nós próprios. Testa-se, como vimos antes, e confirma-se. Além disso, antes de confirmar porque é que a homeopatia funciona, há que descobrir se funciona – o que já foi feito, e não ficou provado.

A homeopatia funciona porque existem testes científicos que o demonstram.

Mau, mas afinal a ciência serve ou não serve para validar a homeopatia? Pergunto isto porque estes dois argumentos são muitas vezes apresentados pela mesma pessoa, sem que esta se aperceba da contradição notória.
É verdade que existem testes científicos cujas conclusões apontam para a validade na homeopatia. O problema é que são testes de fraca qualidade, isto é, falta-lhes muitas das características que listei acima para ser considerado um teste rigoroso. Os problemas que podem ter incluem:

  • falta de controlo, isto é, não terem um grupo que não recebe o placebo.
  • falta de ‘cegueira’, isto é, o paciente sabe se está a receber um produto homeopático ou um placebo, ou o profissional sabe isto, ou ambos sabem.
  • auto-correção, isto é, os resultados são analisados pelos profissionais que interagiram com os pacientes, e que muitas vezes têm interesse em demonstrar que a homeopatia funciona.
  • conclusões erradas, isto é, os dados apontam para uma semelhança entre o grupo de controlo e o grupo que recebeu homeopatia, e apesar disso o autor do estudo acha que este valida a modalidade.
  • diferença estatística mínima tomada como importante, isto é, existirem – por exemplo – 52% de pessoas no grupo que recebeu o placebo a reportarem melhoras e 55% de pessoas no grupo que recebeu homeopatia a reportarem o mesmo. O autor pode indicar que existe uma diferença entre os dois grupos, e que por isso a homeopatia funciona, mas abaixo de determinados valores, a diferença em percentagem é demasiado baixa para ser significativa, e pode nascer do ‘ruído’, isto é, das variações naturais estatísticas.

Além disso, muitas vezes denominam como científico testes que claramente não o são. Veja-se, por exemplo, este caso.

A homeopatia funciona porque existem vários países que a incluem nos seus sistemas nacionais de saúde, e isso não aconteceria se não funcionasse.

Eis outro argumento baseado, tal como o das muitas pessoas contentes e o dos médicos, na popularidade. De novo, não é porque algo é popular que é verdadeiro. Os governos preferem, muitas vezes, fazer aquilo que acham que os votantes gostam, mesmo que as provas demonstrem que devem fazer o contrário. Exemplos: o governo suíço e o governo inglês, que apesar de terem comissões de inquérito a provar, sem margem para dúvidas, que a homeopatia não funciona, ainda assim decidem manter o apoio estatal a esta modalidade.

A homeopatia funciona e não é um placebo, pois funciona com bebés e animais, e eles não sabem que estão a ser tratados e ficam curados.

Este é outro argumento muito comum, mas também muito fácil de derrubar. O efeito placebo ocorre quando alguém interpreta uma situação como uma melhoria de estado. Assim, se eu tomar algo, ou fizer algo, e depois me sentir melhor, e achar que fiquei melhor por causa desse algo, o efeito placebo está a dar-se nesse momento. Se, por outro lado, eu der a um bebé ou animal algo, ou fizer algo a ele, e depois esse bebé ou animal ficar melhor, eu vou achar que ele ficou melhor por causa desse algo, e o efeito placebo dá-se nesse momento. 


A homeopatia funciona porque trata a pessoa como um todo, e não apenas os sintomas de uma doença.

Isto, como já vimos num exemplo anterior, não chega a ser argumento. Antes de se dizer “funciona porque trata assim ou assado” é preciso confirmar que de facto trata. Todas as provas rigorosas apontam no sentido contrário. Por outro lado, e mesmo que fosse verdade, então que fazem produtos como os que estão à venda em farmácias, com indicações específicas para sintomas específicos?

A homeopatia funciona porque quem está contra ela é ignorante/totalitário/proibicionista/comunista/fascista/ditatorial.

Por fim, o argumento baseado na falácia ad hominem. Neste argumento nada está a ser adicionado ao diálogo, no sentido de aportar pistas para descobrir a validade da homeopatia. Simplesmente está-se a atacar o carácter do oponente, por forma a passar a ideia de que, tendo ele um mau carácter, a ideia que está a expor não será boa, ou correcta. Acontece é que uma pessoa pode ser tudo aquilo que o outro quiser, mas isso não valida ou invalida a verdade da premissa que defende.


Se existirem argumentos pró-homeopatia que não estejam aqui listados, é favor avisarem, para os analisarmos .

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60 Responses to Os argumentos a favor da homeopatia (e porque razão não são válidos)

  1. Ricardo says:

    Sou Homeopata e não tenho nada contra esta demonstração, pois estamos num país livre. Acho contudo que se deveriam assumir os próprios principios da terapêutica, pois a forma como será executada é duvidosa à vista das ideias que tentam derrubar.
    Em relação ao texto de contra-argumentação, faz sentido claro, mas é possível dar resposta.
    O conhecimento científico evolui conforme o desenvolvimento da própria ciência. Na altura a terra era plana e o que se conhecia para aí indicava. Até, claro, a Igreja impedir o conhecimento de progredir, mas isso é outra história.
    O efeito placebo em animais e crianças também é discutível. Por exemplo, uma criança com febre de 39 tomou ben-u-ron por indicação do pediatra. A febre baixou para 36,5. Pasado 4h voltou a subir e novamente desta feita tomou belladonna. A febre baixou para 36,5. Passado 4h voltou a subir para os 38,8ºC. O efeito da belladonna foi placebo? A redução foi normal devido ao próprio ciclo patologico? Então o ben-u-ron também teve efeito placebo?
    Em relação aos testes científicos… acho que realmente não há nenhum teste 100% conclusivo para lado nenhum, devido aos erros cometidos de ambas as partes. E depois sabe-se bem que estas experimentações são facilmente adulteradas e interpretadas de forma tendenciosa. Assim, nada a dizer neste campo.
    Apresento os melhores cumprimentos e que corra tudo bem na vossa manifestação que, pela falta de coerencia com a Homeopatia, poderá servir mais como uma campanha publicitaria para a Boiron que outra coisa…

    • Pedro Homero says:

      Estimado Ricardo,
      Tal como disse no outro comentário, agradeço-lhe profunda e sinceramente os seus comentários educados e cordiais. Comentários assim, críticos mas educados, é que a gente gosta!
      Nesse comentário creio já ter explicado a razão pela qual a campanha se baseia numa ‘overdose’.
      Em relação ao desenvolvimento da ciência, e como espero ter conseguido explicar no argumento relacionado, sim é verdade que esta (a ciência) vai evoluindo. Já os Gregos Antigos sabiam que a Terra era redonda, mas essa noção só se instalou definitivamente na população em geral quando o conhecimento científico pode vencer o obscurantismo que dizia o contrário. Acontece é que cabe à homeoapatia e aos seus defensores chegarem-se à frente com provas inequívocas que a sua modalidade funciona na prática. Num primeiro patamar, nem é preciso provarem que a teoria está certa; basta provarem que, de facto, funciona para lá do efeito placebo (evitando, claro, os argumentos falaciosos que menciono neste artigo). Depois logo se vê isso da memória da água, e do semelhante-cura-semelhante, e do quanto mais diluído mais potente.
      Em relação ao exemplo que dá da febre na criança, parece claro que nem o ben-u-ron nem a diluição-de-belladonna-na-qual-possivelmente-já-nem-existe-belladonna baixaram a febre; este sintoma pode ir e vir, e umas vezes subir e outras baixar. Repito, tal como o fiz no texto: uma experiência pessoal não pode ser tomada como prova nem da eficácia nem de falta dela de uma modalidade, terapia ou produto.
      Em relação aos testes científicos permita-me discordar. Existe todo um corpo de conhecimento alicerçado em vários testes e meta-análises que não deixam margem para dúvidas; a homeopatia não funciona para lá do efeito placebo. Além disso, há uma clara diferença na qualidade da metodologia nos testes que demonstram que não funcionam e nos que afirmam que sim, funciona. Deixo, no final deste comentário, links para artigos que comprovam o que digo.
      Concordo consigo quando diz que uma experimentação é facilmente adulterada e interpretada de forma tendenciosa. Está correcto, amigo Ricardo. Aliás, é precisamente porque isso acontece que existe o processo de revisão de pares (peer review, em inglês); o mundo científico tem um forte mecanismo de fiscalização no qual diferentes cientistas, quais cães de caça, analisam os testes feitos uns pelos outros para encontrar e denunciar esses abusos ou erros. Assim, e naturalmente, os melhores testes vêm ao de cima, neste processo às vezes intenso de auto-crítica. Os que vêm ao de cima, no caso da homeopatia, mostram que não tem outro efeito a não ser o efeito placebo.
      Permita-me também apresentar-lhe os nosso melhores cumprimentos e que corra tudo bem na sua vida.

      links:
      http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20402610
      http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19588329
      http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/17943868
      http://www.publications.parliament.uk/pa/cm200910/cmselect/cmsctech/45/4502.htm

      • Ricardo says:

        Quando falo da Belladonna não me refiro a penas um caso. É algo altamente frequente…🙂
        Mas pela resposta, mesmo que seja a cadência normal do sintoma… o ben-u-ron era dispensável🙂

        Corra tudo bem mais uma vez.

        • Pedro Homero says:

          Obrigado pelos votos!
          Em relação à belladonna, parece de facto não funcionar quando é diluída – veja este estudo, por favor.
          E sim, o ben-u-ron, à partida, nesse exemplo hipotético também seria dispensável!

  2. Nancy Malik says:

    que prefere, digamos que a medicina homeopática, como uma primeira linha de tratamento, a medicina convencional é uma alternativa / complementar por ele / ela.

    Da mesma forma uma pessoa que tomou a medicina convencional como primeira linha de tratamento, outras formas de tratamento complementar / alternativa.

  3. AnaMar says:

    Tudo resulta, de acordo com a necessidade em causa. Acredito que produtos homeopáticos possam ter êxito em determinadas situações, outras situações mais complexas, exigem medicamentos mais fortes (resultantes das experiências científicas) que obrigam a um tratamento imediato, com incidência directa, mais eficiente.

    Acho que é no meio termo que está o equilíbrio, nem a homeopatia resolve tudo, nem a medicina tradicional ocidental não tem outras concorrentes e eficazes.

  4. Ricardo says:

    Agradeço o link, no entanto não me parece conclusivo, principalmente por ser um abstract demasiado resumido, não dando indicações claras de como foi conduzido ou o homeopático preparado. É este o problema, os testes que existem são dúbios na sua forma essencial…
    Cumprimentos

    • Pedro Homero says:

      Haveria que ler o estudo, sim, só com o abstracto é pouco. O preparado homeopático é belladonna 30C, não?
      Seja como for, e como quem afirma algo é que deve provar o que afirma, sugeria talvez ao nosso amigo Ricardo que nos indicasse os estudos que comprovam a validade da diluição de belladonna como terapêutica.

      • fspulga says:

        Boa tarde, venho pois responder ou melhor participar neste forum que não conhecia. obrigado pelo convite.
        A belladona, nomeadamente a usada em pediatria homeopática, usa-se em diluição c200, ou c30, usa-se para combater a febre nas crianças, assim em alguns tipos de tosse uma vez que as “tosses” não são todas iguais, no entanto a febre é o melhor que pode acontecer e só se deve tentar baixar a febre caso ela ultrapasse os 39,3, pois a cura de gripes etc, será muito mais rápida. A verdadeira homeopatia não se preocupa muito com a febre desde que a criança não faça convulsões com febre, o que também não é problema nenhum. Qualquer método homeopático que diga o contrário, não está correcto. tentarei arranjar mais tempo para intervir pois é bastante interessante esta discussão. cumprimentos

        • Pedro Homero says:

          Viva, fspulga, seja bem vindo!
          Tem o link para algum estudo rigoroso que nos possa mostrar, que demonstre a eficácia dos produtos homeopáticos para combater o que quer que seja nas crianças? É que a experiência pessoal, como poderá ler no primeiro ponto deste texto que estamos a comentar, não serve como prova…

  5. Ricardo says:

    Sim, mas eu não afirmei ter estudos sobre Belladonna. Afirmei que é observável na prática terapêutica.
    Deparei-me há uns tempos com um estudo geral que concluía uma eficácia da homeopatia superior à dos placebos (cerca de 20-30% superior se não estou em erro), mas sinceramente não sei onde nem se guardei as referências. Se encontrar, partilharei.

    • Pedro Homero says:

      Pois é, Ricardo, o problema é precisamente aceitarmos aquilo que “observamos na prática terapêutica”. Podem existir, como expliquei neste texto no qual estamos a dialogar, uma série de razões pelas quais a pessoa melhora, ou cura-se. Pode ser porque naturalmente isso ia acontecer, fizesse o que fizesse; afinal de contas, uma febre vem e vai. Pode existir alguma coisa no ar, no seu consultório, que entra pelas narinas das crianças e lhes baixe a febre. Não estou a brincar, estou a por uma hipótese tão válida como belladonna diluída x número de vezes. Observação clínica pode dar pistas, mas não dá certezas.
      Já agora, e se não se importa, podia ter a amabilidade de nos dizer que nível de diluição de belladonna usa nas crianças? Muito agradecido!

      • Ricardo says:

        Normalmente potências mais baixas, entre a 12 e 15CH, mas depende do caso. Falo aqui em casos agudos, claro.
        Esta discussão não vai levar a qualquer conclusão porque, apesar do texto que o Marco escreveu dar a entender que existe uma insistência “ilógica” na defesa da Homeopatia, a realidade é que do lado dos cépticos o mesmo acontece. Falta um ponto de equilibrio. Observam-se simplesmente ataques de um lado e de outro e as conclusões a que se chega são… pouco “conclusivas”.
        No caso que falámos o ben-u-ron e a belladonna acabaram por ficar no mesmo saco, do placebo. Afinal a temperatura vai e vem, eram os dois desnecessários. E faz-se uma bola de neve que por aí vai.
        Existem outros casos mas não quero estar a entrar em campos mais complexos do ponto de vista fisiopatológico, até porque não iria acrescentar nada à discussão.
        A realidade é que o dia a dia clínico nos traz conhecimento empírico que apoia a homeopatia. Havemos de chegar a um consenso no que toca à formulação dos estudos que agradem a gregos e troianos.
        No entanto, se conseguimos ajudar de alguma forma que nos procura, então já vale a pena. Atenção também que uma consulta de homeopatia não é só o homeopático. Muito passa, claro, por outros aconselhamentos. Mas esses não tratam os agudos…🙂

        • Pedro Homero says:

          Ricardo,
          Passei o dia a responder a comentários, um pouco por toda a net portuguesa, relativamente a este tema. Quem me dera a mim que o resto dos comentadores tivesse 10% da sua educação! Seria muito mais fácil encetar diálogos. Tenho uma sugestão, se lhe parece adequada; vamos continuar este diálogo por forma a estabelecermos um procedimento que nos permita montar um pequeno estudo, por forma a tentar ver se a belladonna, ou qualquer outro produto que considere um bom candidato, funciona de facto, ou se a “cura” nasce na verdade da atenção que o cliente recebe do homeopata. Que lhe parece?

          • fspulga says:

            Caro Pedro Homero
            Posso-lhe dizer que tenho em casa perto de 80 remédios homeopáticos diferentes e literatura base fornecida pelo médico dos meus filhos, e que durante 10 anos tenho aplicado com o maior sucesso. A diluição que normalmente se aplica a crianças ( mas que tambem faz efeito nos adultos, varia entre C30 e C200, podendo em alguns casos ter diluições que referem D6) . Não sei os detalhes exactos para estas nomenclaturas, podendo apenas dizer-lhe que diluições C1000 e C10000, só se usam em casos de comportamento ou doenças graves, e que só se recomenda uma bolinha de ano a ano ou de seis em seis meses, por exemplo para dislexia, hiperactividade ou outras doenças de comportamento ou doenças graves, mas aí não me aventuro pois exige especialista e dos bons, mas também com muito sucesso. Mas posso informar-me pois estou a estudar com acções de formação, por conforto, pois não sou médico, sou apenas pai. Assim sendo poso dizer-lhe que a dose do remédio homeopático não tem qualquer significado, pelo que a estupidez de tentar ter uma overdose de “homeopatia” só pode caber na cabeça de publicitários que fizeram o video da Viisão. É a energia do medicamento que cura, razão pela qual se coloca na água e se agita antes de beber para potenciar a força do medicamento.
            Acrescento ainda o seguinte. A “nossa” homeopatia baseia-se em bolinhas de cerca de 1 mm de açúcar lácteo que são pulverizadas com o remédio homeopático, (Há cerca de 2000).
            Para se tomar colocam-se duas dessas bolinhas “insignificantes” num quarto de água mineral e toma-se um gole equivalente a uma tampa dessa mesma garrafa, de hora a hora, por vezes com alternâcia entre dois medicamentos, e caso sejam os acertados teremos melhoras ao fim do dia e estaremos curados ( dependendo da gravidade) em cerca de três dias. Se não funcionar é porque os medicamentos estão mal seleccionados e podemos ter que alterá-los mediante a observação dos sintomas que vão alterando durante o dia ou mesmo de um dia para o outro.
            Isto é possível para uma pessoa que segue a outra ( doente) e que se vai apercebendo do que se vai passando e das alterações que o doente vai tendo para se alterar os medicamentos se for caso disso.
            Em 10 anos de experiência posso dizer-lhe que não é o efeito placebo que funciona, pois já tive que alterar medicamentos que depois vieram a funcionar, em vez de outros até porque o comportamento do doente também altera e a noite é diferente do dia em homeopatia, uma coisa que ainda não vi referida. O que actua não é a “doze” do medicamento, mas sim a “presença” do medicamento. Consegui resolver as enxquecas da minha mulher aliviando bastante assim como aliviar dores de costas e quase todo o tipo de dores batidas com a cabeça que as crianças fazem muitas vezes e que Arnica resolve, e se pode ver que já existe nas farmácias o Arnica gel que não é mais que o uso dessa substancia homeopática que a indústria farmacêutica recuperou, ou aliás está a recuperar. Não se misturam remédios homeopáticos a ver se algum acerta como no Charope para a tosse Stodal, que funciona, mas cada um desses medicamentos alivia um tipo de tosse. Os outros nada fazem porque não são para “aquele” tipo de tosse. Por agora fico-me por aqui e obrigado mais uma vez pelo convite.

            • Pedro Homero says:

              Amigo fdpulga,
              Repare bem no que escreveu: “(…)remédios homeopáticos(…) e durante 10 anos tenho aplicado com o maior sucesso”
              Tem a certeza que tudo aquilo pelo qual o senhor e os seus familiares passaram, e para o qual o senhor usou a homeopatia, foi de facto curado pela homeopatia? Não se poderá dar o caso de estarmos a falar de doenças ou condições que naturalmente desaparecem, passados uns dias, se deixarmos o corpo actuar? Não se poderá dar o caso de, eventualmente, alguns desses problemas simplesmente desapareceram porque acontece assim a todas as crianças (como certas alergias)? A pergunta, na realidade, é antes: como pode o senhor ter a certeza que foram essas bolinhas que vos “curaram”?
              Tenho uma sugestão: quando alguém na sua família tiver um resfriado, ou algo assim leve e pouco preocupante, dê-lhe o “medicamento” homeopático errado, ou, se conseguir arranjar, dê-lhe hermesetas ou similar. Depois compare os resultados com outras alturas em que usou homeopatia.

              Escreveu também:
              “Não sei os detalhes exactos para estas nomenclaturas, podendo apenas dizer-lhe que diluições C1000 e C10000, só se usam em casos de comportamento ou doenças graves”
              Se não sabe os detalhes, deixe-me dizer-lhe que a partir de uma diluição C13 já não existe nenhuma molécula do que lá se dilui. Uma diluição C1000 ou C10 000 é exactamente a mesma coisa que uma diluição C13, pois daí para a frente é água a ser diluída em água, nada mais. Não lhe parece completamente absurda, esta ideia de diluir bem para lá deste valor?
              Seja como for, a teoria pode estar errada, mas a prática mostrar-nos que funciona. Acontece é que mostra exactamente o contrário, isto é, que o efeito da homeopatia é apenas placebo.

              Escreveu ainda:
              “a dose do remédio homeopático não tem qualquer significado”
              Ah não? Então porque é que os homeopatas receitam “x comprimidos por dia”?

              Escreveu depois:
              “caso sejam os acertados teremos melhoras ao fim do dia e estaremos curados ( dependendo da gravidade) em cerca de três dias. Se não funcionar é porque os medicamentos estão mal seleccionados e podemos ter que alterá-los ”
              Portanto, e se percebi bem, vai tomando bolinhas de lactose até que eventualmente já não está doente e dá os louros da vitória ao último produto homeopático que usou. Não vê, senhor fspulga, que é o senhor o herói desta história, pois é o senhor, e o seu corpo, e o seu sistema imunológico que derrota essa doença? Não dê a glória a umas bolinhas de açúcar que nunca conseguiram provar, em condições rigorosas, a sua eficácia. É o senhor quem vence a doença!

              Escreveu então:
              “o comportamento do doente também altera e a noite é diferente do dia em homeopatia, uma coisa que ainda não vi referida”
              Nem nós vimos isso nos produtos homeopáticos à venda nas farmácias cuja bula lemos. Será que deviam dizer isso?

              Escreveu abaixo:
              “Consegui resolver as enxquecas(…), dores de costas(…) dores de batidas(…)”
              Ou seja, tudo aquilo que desaparece naturalmente com descanso e tempo.

              Escreveu por fim:
              “Não se misturam remédios homeopáticos a ver se algum acerta como no Charope para a tosse Stodal, que funciona”
              Mas espere lá… se funciona, porque é que diz que não se misturam? Mais, porque é que não se devem misturar? Se cada ingrediente é para um tipo de tosse, então não é melhor tomar um para todos os tipos. Melhor ainda, acabou de me dar uma ideia. Como a “dose” não interessa, mas antes a “presença”, porque não fazer um produto homeopático que tenha todos os ingredientes presentes na tradição homeopática! Assim, prevenia-se já qualquer tipo de doença, pois estaríamos a dar ao corpo humano tudo o que ele precisaria para equilibrar a sua ‘energia vital’.

              Amigo fspulga, acredite, peço-lhe que não tenho nada contra si. O senhor será talvez um pai, quem sabe um avô, que quer o melhor para a sua família, que se preocupa com eles e que não quer que nada de mal lhes aconteça. Creio que toda a gente estará de acordo que esta é uma maneira sensata de viver em família e uma postura sã.
              Não deixe, rogo-lhe, é que o seu desejo de que a homeopatia funcione lhe cubra os olhos para as provas que demonstram que não passa de um placebo. Sabe porque lhe digo isto? Porque o senhor parece ser, genuinamente, uma boa pessoa, e o senhor e a sua família não merecem, no futuro – que espero NUNCA venha a acontecer, do fundo do coração – vir a ter um problema de saúde grave e depois usarem homeopatia, em vez de uma modalidade real que funciona, com resultados que serão, certamente, muito graves. Não deixe que isso aconteça, por favor, pois assim não só está o conhecimento humano a ser atropelado pela superstição e pela crença, mas também uma família a sofrer quando não há razão para isso.

              Os meus melhores cumprimentos.

  6. Marco says:

    Eu acrescentaria o argumento ridiculamente comum de “isto não passa tudo de uma gigantesca conspiração da indústria farmacêutica que andam a subornar todos os cientistas do mundo para dizerem que a homeopatia não funciona”. Como se a homeopatia não fosse ela própria uma indústria multimilionária. Pudera, a vender água e açúcar como medicamentos…

    Ainda gostava de ver algum estudo duplamente cego sobre os efeitos da homeopatia em animais, pois o que existe são apenas testemunhos anedóticos, basta o veterinário ou o dono possuir qualquer tipo de expectativa sobre a homeopatia para dar disparate. Não é por maldade, fazem-no inconscientemente, não o podem evitar. Os estudos duplamente cegos permitem remover essas interferências. E depois existe ainda o efeito do condicionamento animal.

    Na minha opinião um dos maiores problemas nesta temática da homeopatia e de outras terapias alternativas, é que nem sempre podemos falar de charlatanice – o paciente acredita que funciona devido ao efeito placebo, e o terapeuta acredita que consegue curar pessoas devido ao feedback positivo que recebe. É apenas patetice humana no seu melhor…

    Até poderia existir algum mecanismo completamente desconhecido da ciência, por mais improvável que isso seja, que confira memória à água e aumente a potencia de medicamentos com a diluição. Até poderia existir! Precisamente por isso é que se fazem também os testes duplamente cegos em que se compara os medicamentos homeopáticos com um placebo, e quando se faz isso chega-se à conclusão definitiva que não existe nenhuma diferença entre ambos. Seria de esperar que a discussão acabasse por aqui, mas isso só seria se vivêssemos num mundo puramente guiado pela razão. Hoje em dia a verdade não se mede pelas evidências mas numa espécie de concurso de popularidade…

    Força para a iniciativa, infelizmente não posso comparecer, mas podem contar comigo para divulgar a mensagem.

  7. author says:

    Aguardo com expectactiva a resposta do Ricardo relativamente à proposta do estudo para ver se a belladonna ou outro produto funcionam. Espero que isso vá para a frente!

    E espero sinceramente que a ASAE apareça amanhã e prenda muita gente para dar bastante notoriedade ao assunto.

    Hoje vi o anúncio do produto homeopático na TV, aquele do desenho animado engripado. Quantas pessoas saberão que é um produto homeopático? Estou curioso se na embalagem dirá alguma coisa.

    • Pedro Homero says:

      Também nós esperamos! Vamos aguardar com serenidade.
      A ASAE tem muito trabalho sério para fazer; não creio que percam tempo com acusações tontas como as que fizeram acerca de nós.
      Na embalagem diz, atrás. Veja-se aqui.

      • author says:

        Boa. Gosto do “Na persistência dos sintomas para além dos 3 dias, consulte o seu médico”, tendo em conta que a duração média da gripe é de 1 a 2 semanas. Já nos safemos.

        Estava a brincar sobre a ASAE, tive oportunidade de me informar sobre o código da publicade a propósito de outra aldrabice, a das “EcoBolas”. Mas era brilhante se fizessem alguma coisa relativamente à alegação de publicidade enganosa, porque então necessariamente se teria de por à prova a eficácia da homeopatia. A não ser claro se a AMENA convenientemente retirasse a queixa ou por alguma outra razão o processo ficasse “encalhado”.

      • author says:

        Nem tinha reparado no preço. 6 doses por €9,95 com direito a IVA reduzido (porquê?). Um antigripal de marca com 20 comprimidos custa menos de metade e dura mais com as posologias recomendadas. Está bem…

  8. Ricardo says:

    Essa realmente é uma ideia a pensar mas não serei eu, provavelmente, a melhor pessoa para ajudar nesse processo. E, confesso, numa comunidade profissional tão “dividida”, que se nota nestas situações, nem se tem grande vontade.
    No entanto irei verificar de que forma poderá isso ser feito, atendendo ao facto de existirem procedimentos específicos para uma prova. O problema destas coisas é sempre o controlo, pois pouca gente estará disposta a seguir as instruções, manipulando os resultados.
    No entanto poderá depois enviar-me um e-mail para ver se arranjamos uma forma de compromisso sobre esta possibilidade (neste momento o servidor de e-mail está com problemas pelo que não sei quando estará a funcionar devidamente)

    Cumprimentos

  9. Francisco Oliveira says:

    Antes de opinar sobre a Homeopatia uma pequena apresentação:

    Sou Biólogo, inscrito na ordem dos Biólogos, tenho Mestrado em Toxicologia, faço investigação e certificação e teste de substancias numa universidade.

    Como é facilmente compreensível, como Biólogo tenho formação para poder opinar de forma avalizada sobre esta temática pois somos a profissão legalmente reconhecida e habilitada sobre o estudo e identificação de seres vivos e suas interacções, muitos destes usados como fonte de produtos naturopatas e homeopatas.

    Não ganho dinheiro com a venda de produtos de qualquer natureza, nem com consultas de qualquer espécie, considero-me completamente isento em relação a cada uma das facções envolvidas, interessando-me meramente pela veracidade das informações e validação de factos.

    As razões cientificas pelas quais a homeopatia como “terapia” não é reconhecida pelas entidades competentes são várias, e facilmente demonstraveis e compreensíveis.

    Uma delas é a determinação da LOEC, sigla de Lowest Observed Effect Concentration, que traduzido significa a concentração mais baixa observada de uma substancia que produziu efeito.

    Essa substancia pode ter qualquer origem “química, natural ou assim assim”, pode ser uma solução elementar, uma mistura definida, uma mistura complexa, um extracto não purificado directo de uma planta por exemplo.

    O teste consiste em determinar sobre organismos vivos não passiveis de efeito placebo, qual a concentração mais baixa possível da substancia em teste que induz um efeito determinado, seja ele mortalidade, inibição de reprodução, diminuição de mobilidade, etc…

    Ora um dos princípios basilares da Homeopatia é a chamada memoria da molécula e das diluições infinitesimais, em que alegam que uma vez estando em contacto com um principio activo, as moléculas apresentarão uma memoria que permanecerá efectiva mesmo em diluições extremas desse principio activo.

    Portanto o que a homeopatia diz conseguir é um efeito molecular de uma substancia presente numa concentração inferior á LOEC, ou seja alegam que existe efeito de uma substancia mesmo muitíssimo abaixo do mais baixo valor para o qual foi verificado um efeito, algo verdadeiramente absurdo como facilmente se pode constatar.

    Um outro ponto, aplicável quer á homeopatia quer á naturopatia é referente aos procedimentos de colheita de tais substancias activas e de como NÃO tem o mínimo controlo sobre o que estão a fazer.

    As metodologias de selecção, isolamento, extracção, purificação e doseameto dos princípios activos, de forma segura, controlada, higiénica, carecem de equipamentos e da aplicação de conhecimentos que a generalidade dos “naturopatas e homeopatas” não tem.

    Os erros mais comuns que encontro aquando dos exames toxicológicos são:

    Identificação errada da espécie do organismo.
    Colheita e utilização errada de partes do organismo para posterior uso.
    Má manipulação e conservação dessas partes.
    Extracção deficiente ou errada dos princípios activos do organismo.
    Ausência de controlo de dose, pureza, e contaminação dos extractos.
    Via de administração errada.

    Um exemplo concreto aplicado á naturopatia:

    Da casca do salgueiro é extraído o acido salicilico, um composto “semelhante” ao ácido acetil salicilico que é o principio activo da aspirina.

    Quando se extrai acido salicilico da casca do salgueiro, a extracção é feita via “chá”, com agua quente. Este composto é um acido orgânico, com muito baixo solubilidade em água, e é termolabil, isto é a temperatura degrada este composto, portanto, o facto de ser extraído da casca do salgueiro com agua quente, não só é ineficaz na quantidade extraída, como na qualidade do produto.

    Mais ainda, a extracção por agua quente, não só extrai(mal) esse composto, mas arrasta tambem todos os outros compostos que estejam presentes na casca do salgueiro, desde compostos completamente inócuos a compostos extremamente tóxicos e que podem ser a sua toxicidade agravada via efeito da temperatura que os desnatura.

    Portanto numa infusão natural, de casca de salgueiro natural, com água natural, existe naturalmente uma panóplia de compostos em solução sobre os quais não tem controlo naturalmente de quais são, quantos são em que concentração se encontram, e no entanto recomendam esta preparação,, sem qualquer controlo, em detrimento de uma substancia devidamente certificada em quantidade, qualidade, pureza, e com estrito controlo de qualidade vinda de laboratórios certificados.

    Mais ainda, o modo de administração desse chá de salgueiro, é absolutamente ineficaz visto que no processo digestivo a nível do estômago esses compostos do chá serão degradados e digeridos na sua maioria, pelo que a fracção que sobra para ser absorvida a nível dos intestinos e passar para a corrente sanguínea é extremamente baixa.

    Não é á toa que os medicamentos ( o principio activo ) é acompanhado por um excipiente. è que este excipiente serve não só de transporte e protecção física e química desse composto activo, mas também é estudado para assegurar que o composto activo é absorvido onde deve e na dose em que deve, sem que sofra degradação digestiva indevida.

    Que garantia tem um chá de salgueiro quanto á pureza, dose, e conservação do principio activo?

  10. AL says:

    Lá vêm com os titulos e formações e “opinações”. Um dos problemas é mesmo os cientistas limitados a apenas uma visão… Já vi participações suas noutros locais e o que vem afirmar, para além de uso de linguagem técnica, é exactamente aquilo que está mais que discutido. Simplesmente apoia as versões de “limitação da visão científica”.

    Cumprimentos

    • Pedro Homero says:

      Ricardo, alguém no seu computador fez este comentário. Estará alguém no mesmo local onde o Ricardo está que tenha usado este nome “AL”, em vez do seu?

    • francisco oliveira says:

      Ricardo:
      Mas qual limitação de visão?
      A única coisa que me interessa são os FACTOS.
      Antes de queres descredibilizar o quer quer que seja, convem que quem quer descredibilizar, tenha ele próprio credibilidade igual ou de preferência superior para o fazer.

      A homeopatia, naturopatia e todas as outras auto-intituladas “medicinas alternativas”, tem, como qualquer outra actividade, produto, bem, ou serviço, demonstrar claramente e de forma inequívoca, perante as mesmas regras de acreditação e certificação homologadas a nível mundial, as alegações que veiculam.

      A informação cientifica, veiculada sob a forma de artigos realizados por equipas de investigação e validadas por pares, explicita de forma extremamente clara, não só os resultados de investigação, bem como complementa esta informação com as condições da experiência e o contexto, materiais e métodos, resultados, possibilitando a qualquer outra equipa a reprodução e validação dos resultados obtidos.

      Não se pode dizer o mesmo da área que defende.

      O que pretendo, é que para que queiram ter alguma credibilidade, que demonstrem, tal como todas as outras áreas do conhecimento tem que demonstrar, de forma rigorosa, reprodutível e validada, as afirmações que apregoam.

      Devo lembrar que não existe Matemática alternativa, Química alternativa, Biologia alternativa, Física alternativa ou Natureza alternativa. Todo o conhecimento derivado do estudo da natureza é uno.

      Uma pequena nota para o exercício comercial dessas actividades.
      Alguns casos incorrem no crime de usurpação de funções de profissões devidamente registadas regulamentadas e avalizadas pela lei, para o exercício das quais é necessária habilitação própria e cédula profissional emitida pela respectiva ordem.

      Uma pesquisa rápida pelos praticantes dessas actividades ditas alternativas, revela uma manifesta falta de formação e de habilitação reconhecida para a actividade, que, em alguns casos, estão a usurpar.

      Se querem exercer actividades que manifestamente são da alçada legal de químicos, biólogos, médicos, ou farmacêuticos, então que tirem o respectivo curso, e após devidamente habilitados, que exerçam perante a lei a actividade, de forma transparente, fiscalizada, e com as consequências legais inerentes ao exercício legal de uma profissão regulamentada, como todos os outros que tem que estudar para terem a “visão limitada” que apregoa.

      Resumindo:
      Demonstrem a validade dos princípios que apregoam, do mesmo modo que todos os outros tem que fazer para ver reconhecidos os seus conhecimentos no mercado, apresentem formação e habilitação que permita inequivocamente validar esses princípios, tal como todos os outros profissionais o tem que fazer.

      Não venham é querem exercer uma profissão comercial e remunerada, para a qual queiram alegar conhecimentos alternativos para que não tenham tenham que demonstrar nem validar as alegações subjacentes á mesma.

      Apenas quero igualdade de circunstancias.
      Se biólogos, químicos, médicos, farmacêuticos etc…, tem que validar e ver reconhecidos as suas habilitações conhecimentos e alegações, os praticantes dessas “alternativas” deverão estar sujeitos ás mesmas circunstancias, caso contrario deverão sofrer criminalmente as consequências das suas acções.

      • Ricardo says:

        Caro Francisco

        Penso existir aqui uma confusão de conceitos.
        1º, naturopatia e fitoterapia não são a mesma coisa. Até mesmo segundo a lei 45/2003 estão separadas como terapêuticas individuais.
        2º, um naturopata é altamente multidisciplinar, fazendo aconselhamentos alimentares, de estilo de vida, para além de seleccionar suplementos alimentares para as diversas situações. Estes suplementos são produzidos em laboratórios autorizados (poderão existir casos à margem da lei, claro, como em tudo), e as pesquisas são usualmente feitas exactamente por quimicos e biólogos, pelo que ninguém lhe “usurpa” nada, até proporciona trabalho aos profissionais da sua área. E o naturopata não substitui o médico de saúde familiar, nem o nutricionista, nem o enfermeiro. Claro que há abusos (mais uma vez, como em todo o lado), mas aí é que se demontra bem a necessidade de regulamentar estas profissões, para estabelecer os critérios mínimos para o exercício.
        Agora deveria existir igualmente um critério de humanização dos serviços de saúde, pois nem todos os médicos, por exemplo, foram talhados para dar acompanhamento à população. E não nos podemos esquecer que tanto o erro médico como os efeitos secundários dos medicamentos são das principais causas de morte em todo o mundo.É também importante relembrar estes factos que demonstram que há também aqui muito trabalho a fazer. A ciência não progrediu ainda o suficiente para reduzir substancialmente estes casos.

        • Pedro Homero says:

          Também a este comentário tomarei a liberdade de comentar, mais tarde, mas olhe que vejo assim rapidamente já um problema aí, Francisco: A OMS lista os principais causadores de morte no mundo, e medical malpractise não aparece na lista – http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs310/en/index.html
          Toda e qualquer morte evitável deve ser evitada, e ninguém deverá passar por uma situação de negligência ou de mau diagnóstico; a diferença está no facto da medicina dita convencional (isto é, a medicina) ter comprovado a sua eficácia (independentemente de alguns médicos, como seres humanos que são, serem burros, incompetentes ou criminosos). As ditas alternativas não parecem ter demonstrado inequivocamente eficácia (exceptuando alguns remédios caseiros e ‘naturais’, meditação e relaxamento).

  11. Ricardo says:

    Boa tarde
    Sim, de facto. Falei sobre este comentário e a AL (bióloga) achou por bem colocar resposta.
    No entanto posso referir que concordo, até porque já estamos a misturar homeopatia e fitoterapia. Deixa de ser uma discussão adequada neste forum. Mas claro, é a minha opinião.
    Cumprimentos

    • Pedro Homero says:

      Compreendo. Espero que isso não nos altere os planos de virmos a fazer um teste em conjunto!

      • Ricardo says:

        Caro Pedro

        Mais uma vez refiro que não serei eu a melhor pessoa para o acompanhar num estudo desses. Deverá ser alguém que já tenha participado numa prova homeopática.
        Já tentaram contactar a Sociedade Homeopática de Portugal? Como é constituida apenas por médicos, pode ter um impacto diferente se estes aceitarem.

        • Pedro Homero says:

          a este comentário respondo mais tarde, que estou agora sem tempo, lamento!

        • Pedro Homero says:

          Caro Ricardo,
          A ideia surgiu devido à sua postura correcta e educada; não tinha pensado antes nessa hipótese, de se fazer um estudo modesto cá entre nós. A verdade é que a sua atitude fez-me pensar “este senhor parece ser aberto o suficiente à possibilidade de vir a ter uma nova perspectiva sobre a homeopatia se, num teste relativamente simples mas rigoroso, conseguir ver, pelos seus próprios olhos, o efeito placebo em acção”. A ideia seria, e partindo do pressuposto que o Ricardo pratica a homeopatia (estou enganado?), encontrar-se-ia um grupo de clientes seus, uns 10, digamos, pelo menos, que estivessem interessadas em participar num pequeno teste, no qual as 10 seriam recebidas no seu espaço de trabalho, todas teriam acesso a uma consulta personalizada, completa e detalhada, exactamente como faz no seu dia-a-dia, e a todas elas seria receitado pelo Ricardo aquele produto homeopático que o Ricardo achar conveniente para essa pessoa, para o restabelecimento da energia vital dessa pessoa. O cliente assumiria a responsabilidade de seguir à risca o tratamento.
          Faríamos uma lista com essas 10 pessoas, listando para cada uma o respectivo produto individualizado. Outra pessoa que não o Ricardo ou eu iria, aleatoriamente, escolher que pessoas receberiam esse produto, e que pessoas receberiam um placebo. Não mostraria essa lista a ninguém até ao fim do teste.
          Depois, cada um dos clientes voltaria ao seu espaço de trabalho mas iria a outra divisão, onde estaria uma pessoa (uma 4ª pessoa) a receber a receita e a leva-la à pessoa que fez a escolha aleatória (quem leva placebo, quem leva homeopatia). Esta (a terceira) daria, após confirmar o nome do cliente, à quarta pessoa um tubo com o produto lá dentro; (os tubos seriam todos iguais, bem como as comprimidos). A quarta pessoa voltaria para o cliente e dar-lhe-ia o produto.
          O cliente faria o tratamento e responderia a um questionário, por forma a conseguirmos ter uma ideia da sua opinião em relação à eficácia do produto que tomou. Claro que só saberíamos que produto tomou quando, no final, esses dados fossem comparados com a lista que a terceira pessoa manteve secreta. Se existir uma diferença estatística relevante entre o grau de sucesso no grupo de pessoas que levou um placebo para casa, comparado com o que levou um produto homeopático, e se essa diferença tender para o lado da homeopatia, isso sugerirá (não provará definitivamente, mas será uma forte sugestão) que a homeopatia tem um efeito para lá do placebo.

          Que lhe parece?

          • fspulga says:

            Caro Pedro Homero, o teste que pretende fazer não faz sentido na verdadeira homeopatia. É práticamente impossível encontrar pessoas com os mesmos sintomas, á mesma hora e no mesmo sitio. Até porque cada pessoa tem a sua constituição, assim como o seu “remédio de constituição” que decerto já ouviu falar, pois seria arrojado de mais manter um fórum sobre este assunto sem se ter ido a uma dos princípios base da verdadeira homeopatia. Existem medicamentos que por exemplo para uma mulher loura, alta, bonita, magra, ciumenta, com várias alterações de humor que poderá ter como remédio de comportamento Lachesis, ( e que se ficar na cama até tarde acabará com uma enxaqueca terrível) seria incorrecto dar-lhe esse mesmo medicamento apesar de ter um efeito bom, por exemplo numa amigdalite aguda que apresente estes sintomas, pois, pode criar alterações de comportamento incómodas.
            Por exemplo na febre enquanto a halopatia diz para destapar a criança, e dar-lhe banho, a homeopatia diz que a criança deve permanecer tapada pois a transpiração é que vai baixar a febre. A febre cura mais viroses que qualquer anti-biótico, pois a 40 graus é difícil que vírus por exemplo da gripe sobrevivam no corpo humano.
            Esse tipo de teste não terá outro resultado do que o resultado que o testador quiser. Para mim e com a minha experiência acho impossível fazer um teste desses que se venha a afigurar minimamente fidedigno, a não ser que seja suportado por grandes especialistas e em condições que penso seriam financeiramente inaceitáveis, mas…. Não há dois doentes iguais e a mesma doença em dois doentes diferentes pode exigir remédios diferentes se bem que possam ser usados para a mesma doença (sintomas). Um remédio pode fazer efeito num doente e o outro noutro, com a mesma “doença”. Eu não gosto de chamar doença, pois o que existe são os sintomas iguais aos do medicamento que cura. Existem remédios para o lado esquerdo e remédios para o lado direito, a complexidade da verdadeira homeopatia não tem nada a ver com o que se está a falar na maior parte dos comentários deste forum. Espero poder contribuir para o esclarecimento. Este é o principio. Hahnemann o grande precursor da homeopatia, médico com doutoramento testou cientificamente centenas de medicamentos. Tinha 11 filhos e foi com a família que testou a maior parte deles. Depois pôs os colegas médicos a fazer o mesmo com doentes. Nasceu em 1755 e morreu em 1843, viveu 88 anos o que era bastante improvável para a época.
            Mais uma achega para perceberem como se chega á conclusão que um medicamento é bom para um sintoma (doença).
            Ao se dar um medicamento homeopático, a uma pessoa saudável, os sintomas que esse medicamento criar nessa pessoa, por exemplo vómitos, ao ser aplicado numa pessoa com vómitos irá acabar com esses sintomas.
            Este é o método cientifico base que criou a verdadeira homeopatia e os remédios homeopáticos. Cumprimentos, já volto

            • Pedro Homero says:

              Amigo fspulga, não é necessário arranjar pessoas com os mesmos sintomas! Precisamente porque cada pessoa é uma pessoa, diferente das outras, o teste que os homeopatas aceitam que se faz (e que tem toda a lógica, aliás) passa por uma consulta individualizada com cada paciente, seja lá qual for os sintomas que o paciente tem. Por isso é que, no fim da consulta, o homeopata receita um produto altamente individualizado e personalizado para aquele cliente, para ninguém mais.
              Acontece é que depois o cliente vai fazer o avio da receita e ou recebe esse exacto medicamento ou recebe um placebo. Vê como se pode testar a homeopatia, com facilidade?

              Esta sua frase: “Existem medicamentos que por exemplo para uma mulher loura, alta, bonita, magra, ciumenta, com várias alterações de humor” parece-me, sinceramente, completamente absurda, mas não faz mal; se essas características são importantes para se chegar ao produto individualizado e personalizado para essa loura alta, bonita e magra, seja, não há problema.

              Em relação ao custo, com o que lhe expliquei acima fica fácil perceber que não custará mais do que as consultas do homeopata.

              Outra frase sua incrível: “Existem remédios para o lado esquerdo e remédios para o lado direito”
              Ok… e provas que existem diferença entre ambos e eficácia em qualquer deles?

              Amigo fspulga, Hahnneman não testou cientificamente absolutamente nada, porque as ‘provas’ que ele fez baseiam-se simplesmente num pormenorizado registo de opiniões e palpites, sejam deles ou dos pacientes. Não é assim que se faz ciência, amigo.
              Viveu muitos anos, é verdade, se calhar porque não foi na cantiga que as sangrias, uma prática médica da época, eram eficazes para curar o que quer que fosse. Acontece é que as sangrias foram testadas pela ciência, descobriu-se que não fazem bem nenhum, pelo contrário, até fazem mal, e descartou-se essa prática. Vê como a ciência deita fora aquilo que não serve, enquanto que a pseudo-ciência, como a homeopatia, não tem essa coragem?

              “Ao se dar um medicamento homeopático, a uma pessoa saudável, os sintomas que esse medicamento criar nessa pessoa, por exemplo vómitos”
              Esta sua frase tem um erro, lamento dizer. Aquilo que deram, a uma pessoa saudável, é o ingrediente activo em doses a sério. Por exemplo, vox numica, a planta, mas em doses reais, mesmo um pedaço da planta. Agora, passarmos de “um pedaço de uma planta dá vómitos” a “umas pastilhas de lactose que levaram uma gota de água que há muitas diluições atrás já não tem 1 só molécula de nux vomica vai curar vómitos”… tenha dó, amigo, já viu bem quão absurda é essa ideia? Pode estar certa, não digo que não, mas é tão fantástica, tão completamente contrária a tudo o que, paulatinamente, se foi descobrindo e aperfeiçoando em química, física, anatomia, biologia que as provas de eficácia têm que ser também elas fantásticas. Não está de acordo?

  12. AL says:

    Peço desculpa pelo “AL”, mas prefiro manter o anonimato.
    Melhores cumprimentos

  13. Ricardo says:

    Uma referencia retirada do site da SPH.

    departamento de Nutrição Animal da Universidade de Kassel, Alemanha

    Um recente ensaio clínico controlado, conduzido por investigadores do departamento de Nutrição Animal da Universidade de Kassel, Alemanha, estudou a eficácia da estratégia de tratamento da homeopatia clássica em casos de mastites clínicas suaves e moderadas dos bovinos, comparada com tratamentos por placebo e antibioterapia. O ensaio contou com o apoio financeiro do Ministério Federal da Alimentação, Agricultura e Protecção do Consumidor.
    A fim a reduzir o recurso a antibióticos na produção biológica de gado, as normas da União Europeia estipulam que os medicamentos homeopáticos e fitoterápicos deverão ser utilizados preferencialmente, desde que o respectivo efeito terapêutico seja eficaz para a espécie de animal e a afecção a que o tratamento se destina.
    O recurso a produtos farmacêuticos alopáticos quimicamente sintetizados deve somente ser feito sob condições rigorosas, quando a utilização de medicina homeopática e fitoterápica se revela inapropriada. Estudos realizados por grupos de investigação do Reino Unido e da Alemanha revelaram que 34–51% dos casos de mastite clínica em vacas leiteiras foram tratados com medicamentos homeopáticos, embora, até à data, poucos artigos tenham sido publicados sobre a utilização da homeopatia na estratégia de tratamento da mastite.
    Num estudo recente, um total de 136 vacas leiteiras lactantes com 147 quartos afectados, procedentes de quatro rebanhos na Alemanha foram aleatorizadas para três grupos de tratamento. As vacas foram examinadas nos dias 0, 1, 2 e nos dias 7, 14, 28 e 56 após o início da infecção, a fim de avaliar os sinais clínicos. Simultaneamente, à excepção dos dias 1 e 2, foram recolhidas amostras de leite dos quartos para análise laboratorial (bacteriológica, contagem celular somática), de modo a avaliar os índices de cura bacteriológico e citológico. Nos dias 28 e 56, as estratégias de tratamento não apresentavam diferenças significativas com respeito aos resultados clínicos e ao índice de cura total, nos casos de mastite negativa bacteriológica (n=56). Nos casos de mastite positiva a patógenos (n=91), o índice de cura após 4 e 8 semanas era semelhante entre as duas estratégias de tratamento, homeopatia e antibioterapia. Porém, a diferença entre o tratamento homeopático e o placebo ao dia 56 apresentou diferenças significativas (p<0,05).
    Os autores concluem que os resultados apontam para um efeito terapêutico do tratamento homeopático em casos de mastite clínica suave e moderada, e que a estratégia de terapêutica homeopática nestes casos pode, portanto, constituir uma alternativa à utilização de antibióticos. No entanto, independentemente da estratégia de tratamento e do estado bacteriológico, o índice de cura total revelou um nível baixo, o que revela limitações da eficácia das estratégias de tratamento tanto homeopáticas como antibióticas.

    Reference
    Werner C, Sobiraj A, Sundrum A (2010). Efficacy of homeopathic and antibiotic treatment strategies in cases of mild and moderate bovine clinical mastitis. Journal of Dairy Research, doi:10.1017/S0022029910000543 [PubMed]
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    • Pedro Homero says:

      Infelizmente, Ricardo, essa apreciação, feita pela SPH, desse estudo, parece-me menos correcta, detalhada e honesta que esta:

      http://skeptvet.com/Blog/2010/11/another-homeopathy-study-mastitis-in-dairy-cows/

      Os próprios autores do estudo não parecem ser tão optimistas como a SPH, se percebi bem.
      Seja como for, concordará que um estudo onde podem entrar vários elementos de ‘bias’ (pré-conceitos? tendências? palavra difícil – para mim – de traduzir) não é suficiente para termos uma ideia concreta sobre o assunto. Aliás, são precisos vários estudos, e bem feitos, um só pode ser sorte (ou azar).

      • Ricardo says:

        Penso que o texto da SPH é apenas uma tradução do abstract, se não estou em erro.

  14. Ricardo says:

    Caro Pedro

    A sua ideia parece-me adequada. No entanto para executar uma experimentação e a esse nível seria mesmo melhor alguém, por exemplo, apoiado por uma associação desta área (daí ter referido a SPH).

    • Pedro Homero says:

      Compreendo o que diz, e creio que tem razão.

      Por outro lado, se eu fosse homeopata, e recebesse a visita de dois gémeos com um problema leve de saúde, similar nos dois, daria a um umas bolas de açúcar sem adição da gota de preparado homeopático e a outro umas bolas iguais mas com o preparado, indicando-lhes que deverão cada um tomar apenas as suas, e não as do irmão.
      Depois, pediria a cada um que me relatassem as melhorias, indicando o grau e momento da melhoria. Seria interessante, não lhe parece?

  15. Ricardo says:

    Verifiquei agora o “desafio” do James Randi. Espero que saibam que este desafio foi aceite pelo Prof. George Vithoulkas há uns anos, mas Randi foi dando voltas e voltas ao texto que inviabilizou a experiência…

  16. Ricardo says:

    Ficamos sem saber a versao correcta dos factos em relação ao sr randi e vithoulkas, pois cada um tem a sua versao dos factos.

    Fico-me por aqui nesta participacao. Desejo a todos sucesso.

    • Pedro Homero says:

      Estimado Ricardo,
      Muito obrigado pela sua participação nesta ronda de comentários; a sua presença e o modo como contribuiu elevou, e muito, a fasquia que, infelizmente, nem sempre chega a valores positivos, no que concerne a educação e respeito. Que sirva de exemplo para outras pessoas que desejem comentar.

      Tudo de bom para si!

  17. Sofia Amaral says:

    ” o mundo científico tem um forte mecanismo de fiscalização no qual diferentes cientistas, quais cães de caça, analisam os testes feitos uns pelos outros para encontrar e denunciar esses abusos ou erros. Assim, e naturalmente, os melhores testes vêm ao de cima, neste processo às vezes intenso de auto-crítica.”

    E é de facto uma pena que nem sempre assim seja. Ou que a fiscalização tenha outro intuito. É só ver “O Fiel Jardineiro” e perceber que existem cães de caça de raças muito diferentes.

    • Pedro Homero says:

      O mundo das farmacêuticas está pejado de erros, crimes e abusos, como qualquer actividade humana que dê lucro. Por isso é que o método científico é cego no que concerne a dinheiro, influência ou opiniões. Analisa e ajuda a compreender onde está a verdade.

  18. raRUEL says:

    manooo, eu quero que alguem escreva algo a favor que nao seja quebrado as pernas pq tenho um trabalho no qual temos que defender essa merda de homeopatia por favor existe alguem muito bom mesmo pra criar um argumento que esse tal de Pedro Homero nao saiba responder e que altomaticamente me dará 10????????????

    • L says:

      Para além da amostra ser mínima, não há grupo de controlo. Não é um estudo válido.

  19. author says:

    Amostra de 8 casos? 5 páginas? E ainda assim tanto disparate em tão poucas linhas. Pois, isto de tentar perceber a realidade dá trabalho e não é nada fácil. Não é compatível com tanta preguiça mental. Eu tinha vergonha de citar uma coisa destas.

  20. Ale says:

    Disparate? Nada vai convence-lo, amigo. Nem amostra de 500 paginas, com 400 casos, detalhadamente descritos.
    Desacreditar a homeopatia virou sua causa, vai morrer sem dar credito.
    I rest my case.
    Meus cumprimentos, Alessandra

  21. L Abrantes says:

    O blog 10:23 Portugal encontra-se neste momento encerrado. Sobre este ou outros assuntos, aconselhamos a visita ao site http://comcept.org/

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