A verdade é (de novo) um concurso de popularidade: desta vez na Suiça

[Este texto é uma tradução para português, ver referência no final]

Na Suíça, tal como em muitos outros países Europeus, o governo cobre muitos dos gastos de saúde dos seus cidadãos. Como seria de esperar, o governo e os cidadãos querem gastar dinheiro em modalidades que compensem. Uma das maneiras de alcançar este objectivo é não pagar por terapias que não funcionam. Sendo assim, é compreensível que em 2005 o Ministério do Interior Suíço tenha acabado com o pagamento para várias terapias alternativas, incluindo a homeopatia e a Medicina Tradicional Chinesa (MTC), que não conseguiram cumprir os critérios de prova científica adequada de eficácia.

O que é menos compreensível é que, em 2009, 60% dos eleitores na Suíça votassem por forma a forçar o governo a pagar por estas terapias. Aparentemente, os eleitores lá estão menos interessados, como muitas vezes os apoiantes da medicina alternativa tendem a estar, na eficácia das terapias do que no seu “direito” em usá-las, mesmo que outros cidadãos tenham que pagar a conta, com os seus impostos. O próprio painel de estudo do governo recomendou a rejeição directa destas terapias, mas, numa manobra política pragmática, o governo decidiu continuar a providenciar-lhe fundos durante um período de 6 anos, à experiência, durante o qual uma revisão supostamente independente da pesquisa científica existente vai existir para determinar, mais uma vez, se existem ou não provas adequadas de eficácia, para justificar a inclusão destas terapias, a expensas dos cidadãos.

Um dos possíveis candidatos ao cargo de agência externa de revisão é o National Center for Complementary and Alternative Medicine (NCCAM), aqui [lá] nos Estados Unidos. Tendo em conta que o NCCAM gastou mais de 1000 milhões de dólares dos impostos dos americanos, não conseguiu encontrar provas sólidas para apoiar qualquer modalidade de Medicina Complementar e Alternativa (MCA) e ainda assim continua a promover activamente uma indústria académica dedicada à pesquisa nas terapias MCA (veja-se estas entradas no blog Science-Based Medicine para mais detalhes), é difícil considera-lo neutral. Outro candidato é o British National Institute of Clinical Excellence (NICE). Esta parece ser uma opção melhor, pelo facto de ter como objectivo avaliar todas as terapias médicas a partir de uma perspectiva baseada em provas.

Contudo, a triste realidade é que as conclusões negativas do primeiro painel governamental Suíço não foram suficientes para dissuadir os eleitores Suíços de exigir o pagamento, por parte do Estado, de MCA. Além disso, e apesar do trabalho exaustivo do NICE na Grã-Bretanha, em conjunto com afirmações incisivas de organizações de Médicos Britânicas acerca da ficção que é a medicina homeopática, o Servico Nacional de Saúde Britânico ainda paga a hospitais homeopáticos. As conclusões negaticas do NCCAM, aqui [lá] nos E.U.A. não tiveram nenhum impacto visível na popularidade de terapias MCA no nosso país. Assim sendo, a esperança de que uma revisão justa e racional das provas, que, não duvido, levaria à conclusão de que estes métodos são, na melhor das hipóteses, não-provados, ou, no caso da homeopatia, um disparate completo, é bastante frágil.

Quanto mais olho para as provas e para a reacção de [algumas] pessoas, incluindo a hostilidade feroz de muitos dos comentários colocados aqui por aqueles que acham que estou errado relativamente às provas, mais a MCA começa a parecer-se com uma religião, e não uma abordagem racional aos cuidados de saúde.

Por Skeptvet no blog The SkeptVet Blog e traduzido do original por Pedro Homero

About L Abrantes

Bachelor degree in Tourism, Degree in History. Currently pursuing a master's degree on History and Philosophy of Science Co-Found and collaborator at COMCEPT - Comunidade céptica portuguesa. http://comcept.org
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