O que é a Homeopatia?

[Tradução da página What is homeopathy da 1023 Campaign]

Ao contrário da crença popular, a homeopatia não é o mesmo que um produto de ervanária.
A Homeopatia é baseada em três princípios centrais, imutáveis desde a sua invenção por Samuel Hahnemann em 1796.

A Lei da Analogia (ou Similitude)
A lei da Analogia defende que o que quer que seja que lhe causa sintomas, curará esses mesmos sintomas. Assim, se tiver dificuldades para dormir, tomar cafeína ajuda; olhos lacrimejantes por causa da febre dos fenos ou de rinite alérgica pode ser tratada com cebola, e daí por diante. Esta suposta lei é baseada apenas na imaginação de Hahnemann. Não é preciso ter um curso de Medicina para ver o erro no raciocínio que diz que devemos tomar cafeína – um estimulante – para nos ajudar a dormir; no entanto a cafeína é prescrita, mesmo nos dias de hoje, por homeopatas (sob o nome de ‘coffea’) como um tratamento para a insónia.

A Lei da Infinitesimalidade
No seguimento da sua ‘lei da analogia’, Hahnemann propôs que se podia aumentar o efeito dos seus tratamentos ‘igual-cura-igual’ diluindo-os, repetidamente, em água. Segundo Hannemann, quanto mais diluído o remédio, mais potente se tornaria. Assim nasceu a ‘Lei da Infinitesimalidade’.

Se pegarmos numa gota de cafeína e a diluirmos em 99 gotas de água criamos aquilo que os homeopatas chamam de 1 ‘centesimal’.  Uma gota deste centesimal é adicionada a outras 99 gotas de água para produzir um 2-centesimal, que se abrevia como 2C. Esta poção de cafeína a 2C é 99,99% água e apenas 0,01% cafeína.
Ao chegar a 3C, a diluição é de 0,0001% cafeína, em 4C é 0,000001% de cafeína e por aí adiante. Os ‘remédios’ homeopáticos chegam usualmente a doses de 6C (0.000 000 000 1%) e até 30C (0.000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 1%), sendo uma gota dessa diluição deitada em pequenas bolas de açúcar ou lactose e vendidas como comprimidos.

Quando vemos estes números escritos, é fácil perceber quão absurdos são. Quando se chega a 12C passamos aquilo que é conhecido como a Constante de Avogadro, o ponto de diluição a partir do qual já não deverá haver nada da substância original.

Quando chegamos a 30C, terá mais hipóteses de ganhar a lotaria 5 semanas seguidas do que encontrar uma só molécula de cafeína no blister de ‘comprimidos’ homeopáticos para dormir. Trata-se apenas de água, normal, que foi pingada em açúcar.

A Lei da Sucussão
Ao transportar os seus ‘remédios’ numa carruagem puxada a cavalo, Hahnemann fez outra ‘descoberta’. Decidiu que um abanão vigoroso do ‘remédio’ homeopático aumentaria ainda mais a sua potência. Este processo de abanar foi denominado de sucussão.
Quando prepara ritualmente um ‘remédio’ homeopático, o homeopata abanará ou baterá na preparação em cada passo da diluição, por forma a ‘potenciar’ a diluição.

Os homeopatas modernos acreditam que esta ‘potencialização’ permite à água reter a ‘memória’ ou ‘vibrações’ da substância original, muito após ter sido diluída até desaparecer. Claro que não existem boas provas científicas que sugiram que a água tenha esta capacidade, nem nenhuma indicação de como é que poderá a água usar esta ‘memória’ para curar um paciente.

Funciona?
Apesar de estar assente em superstição, rituais e ‘magia simpática’, as leis inventadas por Hahnemann continuam a ser usadas pelos homeopatas actuais.

Para as leis de Hahnemann serem correctas, teríamos que atirar pela janela praticamente tudo o que aprendemos nos últimos dois séculos sobre biologia, farmacologia, matemática, química e física. As doenças não são tratadas eficazmente com a administração de substâncias que causam sintomas similares; a diluição em série e a sucussão não potenciam  um remédio. A água não tem memória, nem maneira de a usar mesmo que a tivesse!
A homeopatia nunca poderia funcionar da maneira que Hahnemann a descreveu, mas será que funciona, apesar disso?

A análise mais completa de tratamentos homeopáticos alguma vez feita foi conduzida pela publicação médica Lancet, em 2005. O estudo analisou todas as investigações clínicas publicadas até então sobre os efeitos da homeopatia, e concluiu que quaisquer benefícios aparentes de ‘tratamentos’ homeopáticos eram simplesmente efeito placebo.
A homeopatia não funciona. Esta conclusão foi defendida pela Cochrane Collaboration, uma rede global e independente de profissionais de medicina que tem como objectivo  examinar a pesquisa médica para determinar exactamente que tratamentos são eficazes.